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International Magazine: Um Oasis no Independence Day

Written By: bigmontz on March 21, 2010 MAKE A COMMENT

Ótima entrevista dada por Noel Gallagher para a International Magazine em 1996 e transcrita pelo Slidet, na entrevista Noel fala sobre sua relação com o Liam,  Beatles, o que ele ouvia na época,  ser rock star, rótulos, etc. Divirtam-se.

Um Oasis no independence day
por Virgínia Guilhon – Marcelo Fróes

Fazia calor, mas a brisa do mar em Jones Beach, Long Island (Nova Iorque) deixou um clima agradável na tarde do sábado, sete de setembro. Foi nesse clima que chegamos ao super idolatrado teatro da praia (Jones Beach Theater), para o que seria uma maratona – uma prometida entrevista com Noel Gallagher (o desbocado, sarcástico e egocêntrico líder e compositor da banda de rock mais famosa do planeta na atualidade, o Oasis), e a cobertura de três shows, o do próprio Oasis e das bandas Screaming Trees (Seattle) e Manic Street Preachers (Inglaterra). A entrevista, sabíamos de antemão, seria feita em algum momento entre o soundcheck e o show; ou seja, entre 16h e 19h30. Haja nervos para tanta expectativa. Esta seria a única entrevista concedida por Noel a uma publicação, pois até então Noel havia se recusado a prestar qualquer depoimento até mesmo à imprensa norte-americana.

Já na entrada do teatro, um verdadeiro esquemão de segurança que atravessamos tranqüilamente (com a ajuda de nossa amiga Suzie, da Sony) e nos dirigimos ao teatro bem na hora do ensaio. A banda passou algumas músicas, com Noel na guitarra, mas sem a presença do vocalista Liam Gallagher. Liam apareceu depois, cantou SUPERSONIC, SLIDE AWAY e, em seguida, desceu calmamente para a platéia e estirou-se nas cadeiras bem em frente ao palco, longe de nós mas sem deixar de dar umas sacadas na nossa direção. E dá-me paciência. Depois do soundcheck, Noel andava de lá pra cá e, uma vez, passou por nós e cumprimentou com um sorriso e um “hi”.

Lá pelas sete da noite, quando começávamos a perder a esperança (sua empresária vinha com os recados “está jantando”, “agora vai tomar banho”, etc), já que Noel poderia simplesmente cancelar tudo a qualquer momento, vem o sinal verde. A entrevista aconteceria naquele momento no ônibus de excursão da banda. Noel apareceu (acredito que sóbrio) bem humorado e disposto a papear. Não se aborreceu em nenhum momento, talvez somente quando perguntamos sobre os problemas de ego entre ele e o irmão Liam, sobre o qual ele informalmente nos revelou ser “um cara muito confuso”. Também em off nos disse que sabia que seria um músico famoso desde quando pegou uma guitarra aos 12 anos. “Sou do signo de gêmeos, tenho uma sensibilidade aguçada”, disse. Mas de gêmeos ele também herdou um senso de contradição, expresso ao longo da entrevista, e também um jeito de grande gozador. Em alguns momentos, parecia que se divertia em confundir. Sua boa disposição era tal que nem se importou de tirar fotos, coisa rara numa entrevista com um pop star.

Noel falou abertamente de tudo que perguntamos, mas negou de pé junto as crises internas com Liam. Entretanto, estas controvérsias foram claramente demonstradas durante o show de 1h40m. Enquanto Noel se esforçava com o resto da banda para apresentar um show de nível (os melhores momentos foram da sessão acústica de Noel, quando interpretou WONDERWALL, SLIDE AWAY – com Liam -, a música nova IT’S GETTING BETTER MAN e o fecho com a psicodélica I AM THE WALRUS, dos Beatles), Liam se apresentou sem garra e se comportou como se estivesse de saco cheio de tudo. Durante os solos de Noel, procurou atrair a atenção do desanimado público de 10 mil pessoas para si. Ora esmurrava as caixas de retorno; ou mandava sinais de tomar naquele lugar para o público e fotógrafos. A confirmação destas crises veio à tona mais cedo do que se esperava: na quinta-feira, dia 12 de setembro, a banda divulgou um press release cancelando a turnê norte-americana. Eis a íntegra: “O Oasis enfrenta diferenças internas em sua nona excursão pela América, que resultaram no cancelamente de 2/3 da mesma. É improvável que os compromissos assumidos nesta excursão sejam concretizados”.

Como você explica o fato de o Oasis ser considerado uma banda alternativa e ao mesmo tempo ser um dos maiores grupos da atualidade?
Noel Gallagher:
Bem, as pessoas têm idéias diferentes em lugares diferentes. Na América, somos considerados uma banda alternativa, mas na Inglaterra somos do mainstream. Nós não sabemos muito sobre o que rola no resto do mundo, fora da Inglaterra… pelo menos até o momento em que chegamos a estes lugares. Pra ser sincero, não sei te responder.

Você não acha que o Oasis é uma prova de que a distinção entre alternativo e mainstream está perdendo o sentido?
Noel:
Sim, absolutamente. As bandas alternativas de hoje são todas do mainstream. Os Smashing Pumpkins, por exemplo, eram alternativos. Mas aí entraram naquela merda de MTV, parecendo mais modelos do que qualquer outra coisa. Ou Mariah Carey, que está na porra do mainstream mas nunca vende tanto quanto a gente. As pessoas não deveriam dividir a música em categorias. Na Inglaterra, eles não fazem isso. É só na América, onde tudo tem que ser colocado em seu devido lugar para dar certo. Quer dizer, eu não acho que uma banda possa se definir numa única palavra. Eu não diria que somos uma banda de rock, e também não diria que somos uma banda pop. Sabe como é, existe um bocado de coisas. Bandas são apenas bandas e música é apenas música, no final das contas.

Você não acha que num futuro próximo vai funcionar mais na base do “quem é popular e quem não é”?
Noel:
Como eu estava te dizendo, não é bem uma questão de ser popular. Só porque as pessoas vendem um bocado de discos, isso não significa que formou-se um mito. Quer dizer, o povo que mais vende discos é a turma do country. Então, se eles são um monte de porcaria, você sabe o que quero dizer. Não é uma questão de ser popular e nem de ser alternativo (silêncio). É só uma questão de se escrever uma música e ser sincero em suas maneiras. Desde que você não banque um pop star de merda, suponho.

Vocês de certa forma sempre foram bem tratados pela imprensa britânica, desde os primeiros sucessos em 1994. Você está satisfeito com a repercussão de seu trabalho ou acha que algumas vezes é mal-interpretado?
Noel:
Eu acho que a música sempre foi compreendida pelas pessoas que a compravam, porque eles não a analisam tanto assim. Quer dizer, as pessoas gostam da música em si. Ou você gosta dela ou não gosta. Eu acho que a imprensa musical sempre se equivoca a respeito de cada grupo sobre o qual escreve, porque os grupos a princípio sempre desconfiam da imprensa. Eles costumam não se soltar muito nas entrevistas, daí a imprensa acabar lendo nas entrelinhas. No final, acaba valendo a opinião de uma outra pessoa. Toda banda é mal-interpretada, de alguma maneira. Não que estejamos insatisfeitos com a mídia que recebemos, porque ela é basicamente bem verdadeira. Mesmo as matérias ruins…

O que você tem a dizer sobre as várias biografias do Oasis que estão sendo publicadas ao mesmo tempo?
Noel:
É, eu sei lá. É muito estranho, na verdade. Tanta gente escreve livros sobre nossas músicas. Quero dizer, nós só lançamos dois álbuns até agora. Eu acho, sei lá. Eu não leio estes livros, já que todos dizem a mesma coisa, você sabe – que nós tomávamos drogas, quebrávamos os quartos de hotel, xingávamos as pessoas. No final do dia, a gente ficava meio de saco cheio das pessoas, já que elas eram muito chatas. Nós não saímos tanto assim da linha. É verdade. Tudo bem, às vezes eu saio. (risos)

Vocês têm idéia do sucesso do Oasis no Brasil?
Noel:
Não. No final do ano, o Brasil será o único país no qual ainda não estivemos. Acho que vamos ter que ir até lá.

Vocês consideram a idéia de tocar lá?
Noel:
Sim, é claro. Eu acho que vamos até lá depois de gravarmos o próximo disco. Poderíamos estar lá talvez em março ou abril, talvez. Ainda não sabemos bem, portanto não se fie nisso. A coisa pode mudar.

Depois da explosão da “Oasismania” e da comparação entre o trabalho do Oasis e o dos Beatles, houve um papo de que George Martin, o ex-produtor dos Beatles, estaria envolvido na produção do próximo álbum. O que realmente aconteceu?
Noel:
Nós íamos convidá-lo, mas ele já se aposentou. Antes mesmo de perguntarmos, eles já foram dizendo que ele não toparia. Na verdade, eu acho que não teria sido uma boa idéia. Quero dizer, eu não acho que o Oasis soe como os Beatles. Tudo bem, somos grandes fãs dos Beatles e tudo aquilo. Sabe, nós estamos tão cansados de sermos comparados com eles. Somos mais que uma versão lunática deles. Eles fizeram de tudo… antes da gente. É legal sermos comparados a eles, mas enche um pouco o saco.

Te incomoda existirem muitos CDs piratas do Oasis no mercado ou você acha que isso demonstra que a banda é super querida?
Noel:
Eu não esquento, eu não esquento. As pessoas não precisam comprar, se não quiserem. São um bocado de gravações ao vivo de merda. Tudo bem, eu tenho um bocado de piratas dos Beatles e eu os compro, de uma forma ou de outra. É bom. Enfim, eu não acho que as pessoas sejam forçadas a comprá-los, mas se elas querem colecionar o grupo do qual gostam e ter algumas versões, a decisão é delas.

No ano passado, os tablóides ingleses exploraram duas controvérsias: a fofoca sobre problemas de ego entre você e seu irmão Liam; e a tão falada discussão entre Oasis e Blur. Hoje, não se fala tanto sobre estas questões. Isso significa que o Oasis está mais forte agora, em termos de política interna?
Noel:
Não temos problemas internos de verdade, no final de cada dia. Quaisquer discussões que tenhamos, elas não têm nada a ver com o grupo. São questões pessoais, mas nós não brigamos tanto quanto as pessoas imaginam. E não, nós não estamos “mais fortes agora”. E nem estamos ficando mais fracos, porque nós sempre fomos fortes. Quer dizer, eu componho e é o que importa. Enquanto eu escrever músicas, continuaremos com o grupo. Isto é certo. Só nos separaremos se largarmos o grupo, mas eu não pretendo fazê-lo. Eu acho que permaneceremos juntos por um futuro considerável…

Você acha que a imprensa está finalmente explorando assuntos mais profundos sobre o Oasis – como sua música, por exemplo?
Noel:
Chegamos a um momento em que a imprensa está ficando chata. Até eu não faço mais tantas entrevistas quanto antes, porque não é interessante me ver falando tanto assim. Eu não sou nada melhor do que qualquer outra pessoa. Quem quer me ver falando o dia inteiro? Minha opinião não é diferente da das outras pessoas. Fico de saco cheio de ver a porra da minha cara na capa das revistas. Eu queria que eles descobrissem novas bandas, pra te ser sincero. Eu acho que é isso que as pessoas querem. Estou certo de que você está cansada de ouvir os rocks stars falando sobre eles mesmos. Eles enchem, não enchem?

Além de serem influenciados pelos Beatles, vocês obviamente são grandes admiradores de John Lennon.
Noel:
Oh sim, mas não como pessoa. Ele era um bundão, deixou a mulher e o filho, sabe? Mas eu adoro sua música, respeito sua música. Imagino que eu o respeite como pessoa mas não acho que ele tenha sido um ser humano decente. Eu acho que ele vivia se fudendo.

Mas e quanto às idéias dele?
Noel:
Suas idéias? Que idéias? (silêncio) Musicais? Musicalmente, ele era um gênio da porra, o melhor que já existiu. Eu não aguento as pessoas falando sobre John Lennon e sobre os Beatles. Pra mim, era os quatro. Certamente que existe McCartney, mas eu não consigo separá-los. E, quando eles se separaram, entraram numa merda só. McCartney ficou um pouquinho mais merda do que Lennon.

É, mas você se encontrou com Paul McCartney… e até gravou com ele, participando do COME TOGETHER dos Smoking Mojo Filters…
Noel:
Sim, nós conhecemos sua filha Stella. Ela fez uma festa e foi nesta festa que conheci Paul McCartney. Ele estava na cozinha, preparando uns drinks. Ele me abriu uma cerveja e só disse: (estalando os dedos) “Eu conheço você de algum lugar”. Eu respondi: “Eu era dos Beatles…”. E completei: “… e você era do Wings”. Ficamos papeando, sobre nada em particular. Falamos sobre música e foi isso. Depois eu caí fora, pois não sabia o que dizer… Na verdade, fiquei meio sem graça.

Sobre John Lennon: se ele tivesse sobrevivido, o que você acha que ele estaria fazendo? Você acha que estaria dando apoio a algumas bandas – como o Oasis, por exemplo?
Noel:
É difícil de dizer. Não acho que ele estaria gostando de estar vivo hoje em dia, e acho que seria o mesmo com Jimi Hendrix. Se ele estivesse vivo hoje, o que estaria fazendo? Ou se Jim Morrison estivesse vivo, estaria um porco inchado, né? Eu acho que tudo tem uma razão para acontecer e eu acho que Lennon teve que morrer, por alguma razão. Acho que todos nós nos tornamos parte de algo quando morremos, eu imagino. Mas o que não consigo entender é como alguém conseguiu atirar no caras seis vezes pelas costas e não atingir a porra da mulher dele.

Mas você acha que ele estaria dando apoio às bandas de hoje?
Noel:
Acho que sim.

Que bandas? Oasis?
Noel:
Eu não sei. Não acho que ele teria sequer gostado do Oasis. Nenhum dos Beatles gosta da gente…

Fale sobre esta turnê do Oasis.
Noel:
Saímos daqui em direção a Washington e depois descemos a costa leste, terminando em Miami. E aí iremos para a Europa, para começar a gravar algumas músicas no estúdio da Abbey Road. Aí então retornaremos à América, pra fazer a costa oeste. E aí então voltaremos pra Inglaterra, para gravar o álbum.

Nos conte um pouco sobre essa gravação.
Noel:
Gravaremos o próximo single, cuja música principal tocaremos hoje à noite.

Como se chamará?
Noel:
IT’S GETTING BETTER, MAN.

As outras músicas já estão compostas?
Noel:
Já.

Você é o autor de todas?
Noel:
Exatamente. Sou o produtor, fiz a arte da capa, escolhi os diretores do vídeo e sou quem dá as entrevistas. E também quem ganha todas as mulheres! (risos)

Você está trabalhando em outros projetos?
Noel:
Tenho feito uns trabalhos com outras bandas. Vocês gostam de dance music no Brasil?

Sim.
Noel:
Você já ouviu falar sobre uma banda chamada Chemical Brothers, da Inglaterra?

Já.
Noel:
Eu estou trabalhando numa faixa do álbum deles, que estará pronto em outubro. No mais, estou num filme que vai ser lançado na próxima semana com o Johnny Depp, chamado The Brave. Eu faço o papel de um motorista de ônibus, apareço num desses ônibus (aponta para o ônibus em que estamos) e começo a atirar em um monte de pessoas! (risos) Isso foi uma coisa que eu sempre quis fazer: atirar em alguém. Finalmente consegui.

Mas quem te chamou para este filme?
Noel:
Eu não sei! (risos) Tenho que perguntar isso pra ele, o Depp. Bom, é um filme do Johnny, ele escreveu, dirigiu e produziu. Ele achou que ia ser engraçado se eu saísse destruindo um mundo de gente no ônibus. Mas eu não tive que dizer nada. Apenas pegar uma arma, atirar nas pessoas e continuar dirigindo o ônibus.

O Oasis fez alguma contribuição musical para o filme?
Noel:
Não.

Então é só você dando uma de ator?
Noel:
Chame isto de “interpretação livre”. Eu não acho que fiz um papel de ator. E nem penso em continuar fazendo trabalhos deste tipo. Sou um músico, não um ator. Mas eu tive que fazer essa cena porque eu disse que faria.

Mais algum projeto?
Noel:
Puxa, acho que isso já é mais do que suficiente. Eu deveria era tirar uns atrasos do sono ou ir fazer compras.

Hoje, vocês são bem famosos. Qual é o relacionamente entre o Oasis e o público?
Noel:
A gente tenta se comunicar. Não com as pessoas que vão aos shows, mas com as pessoas nas ruas. Não dá para estender muito o papo, porque há milhares de pessoas e as vezes pinta umas bobeiras. Quanto mais você cresce e obtém sucesso, mais distante você fica do público. No começo, o público estava pertinho da gente, não havia nenhuma barreira e a gente se misturava a eles. Mas quando os shows passam a ser maiores, o espaço entre o palco e o público também aumenta. Até que, eventualmente, se perde totalmente o contato. Quando chega nesse ponto, não importa mais.

Você acha que o Oasis chegou a este ponto?
Noel:
Ainda não. Nós estamos a meio caminho desse processo. Na Inglaterra, nós perdemos totalmente o contato porque a gente toca para um público, por exemplo, de 125 mil pessoas. Eles estão lá, no escuro, e você não ouve e nem vê ninguém. Você passa a tocar apenas para um campo enorme… Mas esse é o meu trabalho, não é mesmo?

No momento, você vê alguma banda interessante na América?
Noel:
Não.

E na Inglaterra?
Noel:
Ah sim, tem muita coisa interessante. Grupos como Cast, Pulp, Paul Weller, Primal Scream, The Manic Street Preachers e uma outra banda chamado Kula Shaker. Algumas bandas alemãs e Black Field, Prodigy, etc. Isso não significa que sejam bandas boas, apenas que eu gosto delas.

O que você anda ouvindo no momento?
Noel:
Estou ouvindo um álbum do Kula Shaker, que vai estar nas lojas em uma semana e que é brilhante. Além disso, o material do Paul Weller e dos Beatles, dos Stones e dos Sex Pistols.

Fonte: http://www.slidet.com/oasis/interm01.htm

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One Response to “International Magazine: Um Oasis no Independence Day”

  1. Figor With The BLues on: 22 March 2010 at 03:44

    Quando o Noel fala em CD pirata, na verdade são bootlegs.

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