IEM Apresenta e Entrevista: Alice

Alice é uma banda independente de rock formada no Rio de Janeiro por Cícero Rosa Lins (Guitarra e Vocal), Paulo Vitor Grossi (Guitarra e Barulhos), Rodrigo Abud (Baixo e Vocal) e Higor Cassiano (Bateria) por volta de 2003 ainda com o nome de Mary Jane. Logo após a gravação do seu primeiro álbum a banda recrutou Gilson Abud (Guitarra) e para a gravação do seu segundo álbum a banda trocou de baterista, assim Paulo Marinho assumiu as baquetas da banda.
Enquanto a formação da banda mudava, sua sonoridade também, do punk rock da primeira demo, passando pela sua transição influenciada por bandas como Gram, Interpol e Franz Ferdinand em seu primeiro álbum, Anteluz (2005), até chegar a maturidade no conceitual Ruído (2007). Anteluz conta músicas como grudenta “Casa Vazia“, a excelente combinação letra e música de “Passou o Dia“, a cheia de confiança “Simples” e a balada “Antes da Primeira Lágrima“, já em Ruído as músicas são horas e o dia fica mais bacana as “9h10min” (hora do contraste de carnaval com melancolia), as “12h07min” (hora da balada ruidosa), as “15h25min” (minha hora favorita do dia) e as “20h00min” (hora de fazer ruído).
Em meio as mudanças a banda crescia em popularidade mesmo sem contar com divulgação ostensiva, muito pelo contrário, a impressão é que a pouca divulgação por parte da banda e a grande divulgação boca a boca entre os sues admiradores e talvez tenha como maior símbolo o fato dos nomes das música do segundo álbum serem horários do dia, realmente é algo que foge do comum e tira o foco das músicas passando ele para o conjunto, o álbum. Na entrevista a seguir, Cícero fala sobre a situação atual da banda, as mudanças em seu som e outros assuntos.
Isto é Música: Como está a situação da Alice no momento?
Cícero: Tem mais de 1 ano que a banda está parada. Não demos status nenhum pra isso. Apenas paramos. Forrest Gump. Paramos de correr.
IEM: Houve uma mudança muito grande no som da banda desde a “demo 1″ até o “Ruído”, essa mudança foi natural e saiu sem pensar muito no assunto ou foi algo pensando, tipo “vamos mudar”?
Cícero: A gente sempre foi inquieto. Acabava um cd compondo o outro. Passávamos às vezes um ensaio inteiro fazendo barulhos com a guitarra pra descobrir timbres, acordes… a parte de criação sempre foi nosso barato. Muito mais do que shows, matérias em jornais ou até mesmo cultivar um público. Os melhores momentos da banda eram os de criação, então os cds iam saindo…
IEM: Como você vê a relação Interpol, Gram e Alice? Definitivamente, essa bandas influenciaram a som da Alice, principalmente no Anteluz.
Cícero: Em Anteluz e Ruído a gente ouvia muito essas bandas. Estávamos numa fase bem post-rock e isso influenciou muito também. Mas essas referências já são mais difíceis de pescar porque são bandas muito pouco conhecidas aqui. Mogwai, Explosions In The Sky, Elbow, Longwave, Pedro The Lion… mas Interpol e Gram foram influências sim.
IEM: Do show no CTUR, passando por shows na Cinéfila, até chegar a uma matéria no Globo. Como você viu esta progressão de popularidade da banda? Você acha que a banda quase chegou a um estágio em que vocês viveriam dela?
Cícero: A Alice sempre foi uma banda de pequenas proporções. Nunca fomos de arrastar multidões. Sempre soubemos que esse seria o caminho da banda, pelo som que fazemos. Sempre soubemos e sempre gostamos disso. Por isso paramos sem estardalhaço. Víamos muita gente que dividia as músicas com a gente, entendia, e aquilo fazia diferença pra elas. Não queríamos ser “consumidos”, uma banda que tem um show “dançante”, ou “tendência”… queríamos fazer arte, encaramos a música assim, como acho que todo músico deveria encarar… assim as músicas fizeram um público. Porque o público é delas, não nosso.
IEM: Uma música que gostaria de recomendar e a justificativa da escolha.
Cícero: Elbow – I’ve got your number. São 03:17 da manhã e é o que estou ouvindo agora. Essa é uma música que eu adoraria ter feito. Tudo nela tem uma função, sentido, uma cor. Às vezes eu ouço essa música e meu dia fica diferente. É o que sempre quisemos fazer com a Alice.
Para maiores informações: Pagina da banda no Trama Virtual (com músicas para download grátis), comunidade e perfil da banda no Orkut.
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Tags: Alice, Cícero Rosa Lins, CTUR, indie, Isto é Música Apresenta, Isto é Música Entrevista, Post-Rock, Rio de Janeiro













Lembro de ter visto uma apresentação da Alice aqui em Belo Horizonte, em 2008 e ter ficado atordoada com o som deles ao vivo. Eu não conseguia entender daonde saiam tantos efeitos, ruídos, como as letras eram tão boas e aquilo estava no circuito independente. Depois virei uma perseguidora da banda. Postava sobre ela em comunidades de outras bandas que gosto no orkut (como Gram, citada na matéria…) e pertubava para que eles fizessem outro show aqui em Minhas. Quando a banda parou eu fiquei sentindo como se uma grande banda tivesse acabado sem ter se tornado grande. Abortaram algo que ia influenciar muita gente. Baixei as músicas na internet mas não é a mesma coisa, por ser uma banda independente as gravações e qualidade geral das músicas esbarra no orçamento que nunca deve ter sido milhonário… por isso sempre esperei que a banda crescesse, porque sabia que com a devida chance, eles seriam a maior banda do país. Nunca conheci os caras pessoalmente, mas conheço gente do país inteiro que considera a Alice, assim como eu, a melhor coisa que a cena independente produziu no últimos anos. Quem já assistiu um SHOW deles sabe do que estou falando. E tenho certeza de que “parar sem estardalhaço” e apagar todos os tópicos da comunidade deles no Orkut foi algo pensado para colocar a banda no imaginário das pessoas e assim perpetuar essa aura que, como bem falou a matéria, se formou ao redor da banda pela sua minúscula auto-divulgação. Me recuso a acreditar que eles não soubessem como eram bons… Essa matéria foi uma surpresa ENORME GIGANTE ABSURDA pra mim, já que tem mais de 1 ano que a banda não dá notícia nenhuma e agora aparece uma entrevista com o Cícero! agora eu vou baixar todas essas bandas que ele falou porque eu não conheço nenhuma… rs
Alice é uma das bandas que mais gosto, a qualidade das letras, melodias, harmonias, conceitos, shows e tudo mais, é inigualável. não apenas na cena independente, pelo contrário, os caras têm muito mais a oferecer do que muitas dessas bandas novas que vêm, sabe-se lá como, se destacando no atual cenário.
essa postura minimalista da banda, no que diz respeito a propaganda, sempre foi compensada nas apresentações, com três guitarras, inúmeros pedais/pedaleiras e, principalmente, muita vontade, muita força em todas as canções. sentimento que ficou bem claro pra quem assistiu algum show.
é muito bom ver algum sinal da banda após tanto tempo.
há esperança que a música continue sendo vista como arte, como o Cícero falou. e, sem dúvida nenhuma, Alice é uma grande contribuição nesse sentido.
Gostei da música 9:10 e, segundo os comentários, realmente tem tudo pra ser uma grande banda. Depois ouvirei com mais atenção
Cara Alice acho que é pra mim uma das 5 Bandas do Brasil, como duas das cinco que consideram acabaram ela pra mim se torna a número um. A pausa da Alice pra mim, foi como um nocaute aos 15 segundo do primeiro round, só consegui ir em um show deles foi umas das coisas mais diferentes e perfeitas, foi no Baratos da Ribeiro, um sebo de em Copacabana – RJ, apesar do PV não ter participado do show o JJ supriu legal.
Além deu ter visto uma bela apresentação, descobri que os caras são muito maneiros fiquei trocando uma idéia com eles… estou ansioso pela volta quero ver o Abud tocando com seu precision americano, o Pipinho com sua meio-semi acustica americana (que é linda demais) e quero ver se consigo ver o Paulinho tocando com prato de ataque, porque no show que fui ele esqueceu a estante em casa.
A gente que curte continua com a campanha volta Alice, pois está difícil conseguir música de qualidade no Brasil.
Concordo com a Patrícia quando ela fala que as gravações das músicas não fazem jus às mesmas. Já tinha ouvido as músicas da banda por indicação de amigos e embora tenha gostado, não achava nada demais. Um pouco sem graça. Uma vez fui num show deles no teatro Odisséia (Lapa – Rio de janeiro) e fiquei completamente chocado com aquilo. Eles tocaram Eleanor Rigby, dos Beatles, no meio de Passou O Dia (do álbum Anteluz), imendaram Karma Police com Antes da Primeira Lágrima, tocaram Clube da Esquina n.2 e fizeram o show mais perfeito que já assisti de uma banda alternativa. Efeitos, barulhos e ruídos infestaram a casa e quando voltei pra casa e ouvi as músicas, tudo fazia outro sentido. Claro, uma banda independente com pouca projeção não teria como gravar um Ok Computer com a grana que eles deviam ter… isso é triste no brasil. Acho o Ruído um registro digno, não excelente, e o Anteluz um registro bem distante do que as músicas são ao vivo e de como poderiam ficar com dinheiro e um bom estúdio. Cícero Lins, o vocalista e compositor é pra mim, ao lado do Sergio do Gram, o melhor compositor do rock nacional. Pegando as letras do ruído você consegue notar a profundidade absurda com que o cd aborda amor, solidão, fé, medo, hipocrisia e toda uma questão existencialista. Inteligencia no rock nacional… como seria lindo se isso fosse mais comum…
Realmente o estado da música independente aqui no Rio é triste. A Alice, assim como o =reverse= e tantas outras, é mais uma das grandes bandas que ficaram no caminho.
Toco na banda Cinzel, e tivemos a honra de dividir o palco algumas vezes com a Alice (que eu me lembre, pelo menos duas vezes, uma no Teatro Odisséia e outra no Cinelapa no show de comemoração aos dois anos da minha banda). Me lembro especialmente desse show no Cinelapa, a apresentação deles foi realmente impressionante.
Aliás, até hoje não consegui encontrar a versão deles para Clube da Esquina no 2. Muito boa.
Fica aqui a torcida para que as coisas melhorem e que o Alice e outras bandas que ficaram no caminho possam voltar e mais pessoas tenham a oportunidade de conhece-los.
Eu fui nesse show do Cine Lapa!
A casa já estava vazia e pouca gente ficou, já que eles tocaram depois do cinzel, que era o motivo da noite estar rolando.
QUEM VIU, VIU!
Eles estavam afiadíssimos, a versão de clube da esquina foi incrível.
O tipo de coisa que quem viu guardou na memória, não foi um show que passou batido pra ninguém que tava lá… o diferencial da Alice, com certeza, é a relação deles com as músicas. Eles não têm imagem de banda de sucesso, postura de banda de sucesso, nunca fizeram nenhuma divulgação mais interessada deles mesmos… mas as letras e melodias deixam claro que eles são artistas, e não garotos querendo aparecer na MTV. Concordo com a Patrícia quando els fala que as gravações não são dignas das músicas, mas assim como todos, tinha fé de que um dia eles assinassem e gravassem com qualidade as grandas canções que fizeram…
“Te ver envergar
Querer te ver bem
O que você faz por quem te olha?
Espero passar
Você ou alguém
Pra não envergar
Também
Vale a pena?
Pra cada muda, um vaso
Pra cada muda muda
Pra cada tombo, um passo
é muito pouco espaço
Pra tanto sono cedo
Pra cada medo, nêgo
É quase
tudo
falso
Olha lá
A agonia a jogar serpentinas
Esquecidas
Olha lá
A agonia a jogar serpentinas
Quase cinzas
Olha lá…”
É umas das melhores letras falando de fé e medo que o rock independente nacional já fez.
eu tmb estava nesse show do cinelapa (vale dizer que Cinzel tmb é uma bela banda) e realmente foi um dos melhores shows dos caras. tenho alguns vídeos desse show, mas a qualidade de som/imagem não é das melhores, mas vou tentar colocar no you tube.
muito boa a colocação do Rodrigo Maia, eles são exatamente o oposto dessas novas bandas de meninos que (só) querem aparecer na tv!
olhem este blog, tem bastante coisa legal da banda: http://eivoltaalice.blogspot.com/
Hoje, depois de muito tempo, parei para ouvir Alice e chorei compulsivamente…
Não me conformo que eles não tenham vindo tocar no Recife.
Sem dúvida são as melhores letras, melodias e arranjos do rock nacional.
tenho absoluta certeza de que a Alice será uma dessas bandas desencavadas décadas depois de teream acabado e consideradas um ícone de uma época (ou alguma bobeira do tipo), mas que não tiveram a atenção que mereciam quando estavam ativos. A história adora esse tipo de coisa. Nós, que sabemos do valor da banda agora, apenas sentimos muito que eles não tenham curtido o resultado do que fizeram, enquanto faziam.
A Alice continua emocionando (e muito) as pessoas pelo brasil. Conheci uma menina de Curitiba que colocou essa letra de 8h00min num quadro LINDO.
Aos meninos: Obrigado.
“- Bem, faltou luz, vamos casar?
- Não. Em que mundo você está?
- No seu mundo…”
Tem canção mais fofa do que essa?