Playboy entrevista John Lennon

Em entrevista para Playboy, John Lennon fala sobre sua reclusão, Yoko Ono, The Beatles, Rolling Stones e outros assuntos, o IEM trás trechos da entrevista. Para ler a entrevista na integra vá ao British Point ou ao hotsite feito pelo Baú do Edu.
Playboy: Por que você se tornou um homem caseiro?
Lennon: Dos 22 aos 30 anos passei minha vida envolvido em contratos e compromissos. Eu não era um homem livre. Meus contratos eram uma manifestação física de uma prisão. Passou a ser mais importante para mim me encarar e encarar a realidade do que prosseguir no mundo do rock’n'roll – e ficar oscilando de acordo com os caprichos de meu próprio desempenho ou da opinião pública. O rock já não tinha graça para mim. Decidi não seguir os caminhos habituais de quem lida com o negócio – ir para Las Vegas e cantar seus sucessos, se você está feliz, ou ir para o inferno, que é para onde foi Elvis Presley.
Playboy: Mas o que dizer da acusação de que John Lennon está sob o feitiço de Yoko, sob seu controle?
Lennon: Isso é baboseira. Ninguém me controla. Sou incontrolável. Sou o único a me controlar, mesmo assim…
http://www.youtube.com/watch?v=rtP2cD3uAos
Playboy: Você não acha que os Beatles criaram o melhor rock jamais produzido?
Lennon: Não. Os Beatles – veja bem, estou muito envolvido com eles, não consigo vê-los com objetividade. Mas não me satisfaz nenhuma porra de álbum que os Beatles fizeram. Não haveria ‘um’ só que eu fizesse de novo. Fizemos coisa boa, mas fizemos coisa ruim.
Playboy: Não acha que seria interessante – nada transcendental, só ‘interessante’ – vocês se reunirem e promoverem esse cruzamento de talentos?
Lennon: Não seria ‘interessante’ trazer Elvis de volta para os seus anos iniciais? Mas não quero tirá-lo do túmulo. Os Beatles não existem e não podem existir de novo. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Richard Starkey podem fazer um concerto, mas não serão mais os Beatles, porque não temos mais 20 anos. Não podemos ser o que não somos. Teremos de ser crucificados de novo? De andar sobre ás águas de novo, só porque um bando de idiotas não assistiu à cena na época, ou não acreditou no que via? Nunca. Não dá para voltar para uma casa que não existe mais.
Playboy: Mudemos para Ringo. O que você pensa dele musicalmente?
Lennon: Ringo era um astro em Liverpool. Um baterista profissional que cantava e executava, tinha o conjunto “Ringo Startime”. O talento de Ringo desabrocharia, de uma forma ou de outra – como ator, baterista, cantor, não sei. Havia algo de promissor nele e ele teria despontado com ou sem os Beatles. Ringo é um demônio de baterista. Não é tecnicamente bom, mas penso que a bateria de Ringo é subestimada, assim como o baixo de Paul. Paul foi um dos baixos mais inovadores de qualquer época. E metade do que ele faz hoje é amadurecimento do tempo dos Beatles. Ele é egocêntrico em tudo que lhe diz respeito, mas sempre foi menos orgulhoso do que deveria ser em relação a seu baixo. Paul e Ringo não eram tecnicamente uma beleza… Nenhum de nós era técnico de música. Nenhum de nós lia partitura. Nem escrevia.
Playboy: O que vocês diriam àqueles que insistem que todo o rock, depois dos Beatles, é cópia dos Beatles?
Lennon: Toda música é cópia, são variações sobre o tema, tente dizer a garotada dos anos 70, que vibra com os Bee Gees, que a música deles é só cópia dos Beatles. Não há nada de errado com eles.
Playboy: “I wanna be your man”?
Lennon: Paul e eu fizemos essa para os Stones. Fomos vê-los tocar em Richmond. Eles queriam uma música e fomos ver que tipo de som eles faziam. Paul tinha um trecho e nós a cantarolamos. Eles disseram, “Ok, é o nosso estilo”. Eu e Paul fomos para um canto e a terminamos, voltamos e Mick e Keith disseram:”Meu Deus, vejam isto. Eles foram lá e já terminaram.” Demos a música para eles. Uma esmola. Isso mostra a importância que a gente atribuía a eles. Nós não lhes daríamos algo que fosse realmente estrondoso. Era o primeiro disco dos Stones. Mick e Keith pensaram:”Se eles podem fazer uma música assim tão facilmente, nós podemos tentar.”
Playboy: “Do You Want to Know a Secret”?
Lennon: A idéia veio de uma canção que mamãe cantava pra mim de um filme de Disney. Escrevi e dei para George cantar. Pensei que seria um bom veículo para ele, pois só tem 3 notas e ele não é o melhor cantor do mundo. Esta é uma das razões pelas quais fiquei magoado com o livro dele. Nunca tive um tostão de qualquer música de George ou Ringo. Nunca pedi nada pelas minhas contribuições às músicas de George, como “Taxman”. Nem mesmo o reconhecimento. É por isso que posso ter ressentimentos de George e Ringo.
Playboy: “Across the Universe”?
Lennon: Os Beatles não fizeram uma boa gravação de “Across…”. Acho que inconcientemente, nós… Acho que Paul inconcientemente tentou destruir minhas melhores músicas. Nós ficávamos fazendo foguetes experimentais em cima das minhas melhores obras, como “Strawberry..”, que eu sempre considerei muito mal gravada. Funcionou, mas não era o que devia ser. Eu permitia contudo. Passamos horas depurando minuciosamente as músicas de Paul, mas quando chegava nas minhas, nascia uma certa atmosfera de preguiça e de experimentação.
Esses forem trechos da entrevista, espero que tenho gostado. Para ler a entrevista na integra vá ao British Point ou ao hotsite feito pelo Baú do Edu.
Créditos:
http://britishpoint.blogspot.com/
http://obaudoedu.blogspot.com/
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Tags: John Lennon, Playboy, Rolling Stones, The Beatles, Yoko Ono












